ANÁLISE EXCLUSIVA
Proibição total ou apenas apostas esportivas: o que está em jogo para o setor na segunda rodada do Brasil
Lula proibiu jogos de azar online por decreto; Flávio Bolsonaro só fecharia cassinos online.
O Brasil elegerá um presidente em 25 de outubro em um segundo turno entre Flávio Bolsonaro (Partido Liberal) e o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores). No primeiro turno, realizado no domingo, 4 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos e Lula 45,16%: uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos.
Para o setor de jogos, a segunda rodada coloca dois modelos em competição por um dos maiores mercados de jogos online do mundo, regulado desde 1º de janeiro de 2025.
Nove dias antes da primeira rodada, em 25 de setembro, Lula assinou a Medida Provisória 1.394, publicada no mesmo dia no Diário Oficial da União. Uma medida provisória é uma norma com status de lei emitida pelo presidente e ratificada pelo Congresso.
A MP 1.394 proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de odds fixas, tanto esportivas quanto online, e estabelece um calendário muito curto:
A medida obriga as instituições financeiras a não processar transações de apostas, dá ao regulador de telecomunicações poderes para bloquear sites e exige a remoção de aplicativos das lojas digitais. Um comitê interinstitucional coordenará sua aplicação. Segundo a imprensa especializada brasileira, a Procuradoria-Geral da União solicitou ao Supremo Tribunal Federal que decida sobre sua constitucionalidade.
A medida culmina a mudança de posição de Lula. Em 2023, ele assinou a Lei 14.790, que estabeleceu o arcabouço de licenciamento, a tributação e as regras contra manipulação de partidas no mercado regulado.
Em outubro de 2024, ele ainda defendia esse modelo: "Optamos pela regulação. Se a regulação funcionar, o problema está resolvido. Se não funcionar, eu acabo com elas". Em maio de 2026, ele já garantiu que proibiria todas elas, e na campanha comparou a expansão do jogo à do crack.
Flávio Bolsonaro: Fechar cassinos online, manter as apostas esportivas
O candidato do Partido Liberal critica a regulamentação aprovada por Lula, contra a qual votou no Senado, mas rejeita a proibição total. Sua proposta é acabar com os cassinos online e manter as apostas em eventos esportivos reais, como futebol, vôlei ou tênis, "sob controle". "O cassino online precisa acabar", disse ele.
Após a assinatura do deputado, Flávio Bolsonaro acusou Lula de ser um "oportunista" e de recorrer à "política" na véspera das eleições. Ele também o repreendeu por ter autorizado as apostas para arrecadar 20.000 milhões de reais.
O MP 1.394 está em vigor, mas, como qualquer medida provisória, deve ser ratificado pelo Congresso Nacional em até 60 dias, com prorrogação por mais 60 dias. Se não estiver, perde sua eficácia. Seu futuro dependerá do resultado de 25 de outubro, da composição do novo Congresso, onde o Partido Liberal conquistou 28 das 81 cadeiras no Senado, e da decisão da Suprema Corte.
A proibição tem amplo apoio social: segundo uma pesquisa da Atlas/Bloomberg, 75% dos brasileiros são a favor da proibição das apostas e 36% culpam o governo de Lula pela expansão.